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Descendo
as escadas para o túnel, após encerrar o clássico
em que Palmeiras e Santos empataram em 2 a 2, no
Morumbi, José Assis Aragão só sabia dizer uma coisa:
“Foi muito azar! Acontecer uma coisa dessas logo
comigo".
A
razão do desabafo estava no lance que originou o gol
de empate palmeirense, no minuto final, quando a bola
chutada por Jorginho, antes de sair pela linha de
fundo, tocou no corpo de Aragão e tomou o caminho das
redes santistas. Cercado pelos jogadores do Santos,
visivelmente constrangido, Aragão explicava que o gol
era legal.
Afinal,
a regra nove é clara: “A bola está em jogo se
permanece em campo após haver tocado o juiz ou um dos
juizes de linha”. Apesar de inusitado, o episódio
acrescentou mais um incidente à carreira desse
mineiro de 18 anos de arbitragens, membro do quadro da
Fifa e presidente do Sindicato dos árbitros de São
Paulo, que já se viu envolvido em inúmeras controvérsias.
O
presidente do Santos, Ernesto Vieira, o absolveu:
“Foi uma fatalidade, mas é incrível que isso só
ocorra contra o Santos”. Paulo Isidoro era o mais
exaltado: “Um juiz da Fifa não pode ficar mal
colocado em campo”. O capitão do Palmeiras, Luiz
Pereira, disse que nunca tinha visto coisa igual em
seus muitos anos de futebol. E completou as
gargalhadas: “Ainda bem que foi a nosso favor”.
O
empate foi realmente injusto para o Santos que dominou
a maior parte do jogo e perdeu gols inacreditáveis no
primeiro tempo. Mas premiou o Palmeiras que nunca
deixou de lutar pela igualdade, sobretudo quando o
Santos recuou inexplicavelmente na etapa final. Tudo
isso aconteceu pelo campeonato paulista de 1983.
Nem
o bandeirinha escapa
José
Monteiro atuava como bandeirinha da Federação
Metropolitana de Futebol desde 1947. Passou por muitos
apertos. Um deles eu relato pra vocês agora: Vasco e
América jogavam em São Januário pelo Campeonato Carioca
de 1950. O juiz era Alberto da Gama Malcher. José
Monteiro e Lourival Souza eram seus auxiliares. Uma
falha do árbitro colocou em perigo todo o trio de
arbitragem.
Houve
um escanteio contra o Vasco. Jorginho bateu para
Ranulfo que centrou para Maneco, e Natalino, bem próximo
ao bandeirinha José Monteiro, que levantou a bandeira
mancando impedimento dos dois americanos. Malcher não
viu o gesto do auxiliar e na seqüência do lance
Dimas marcou um gol para o América. Jogadores do
Vasco reclamaram e a torcida ficou enfurecida. Chegaram
a jogar pedras, garrafas e tudo que tinha na mão. O
alvo era o bandeirinha José Monteiro.
O
jogo estava 2 a 2 quando, no final, Gama Malcher
apitou pênalti contra o Vasco. O América terminou
vencendo por 3 a 2. Para sair do gramado, o trio teve
que correr para o vestiário. Enquanto trocavam de
roupa, a torcida enfurecida começou a bater na porta
com violência. José Monteiro ficou segurando a porta
enquanto Malcher e o Souza procuravam chamar a polícia,
que só chegou no momento em que a torcida já tinha
arrombado a porta e dava os primeiros safanões em
Monteiro. Para saírem de São Januário, os três
ganharam uma carona no camburão da Radiopatrulha.
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Evandro de Oliveira Tinti, de
Catanduva (SP), é estudante do Ensino Médio no Colégio
Catanduva.
É leitor de livros sobre
futebol e jornais esportivos, e colaborador do jornal
Notícia da Manhã. |