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mancadas dos 

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Evandro Tinti • Colaborador • 26/11/2007

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Descendo as escadas para o túnel, após encerrar o clássico em que Palmeiras e Santos empataram em 2 a 2, no Morumbi, José Assis Aragão só sabia dizer uma coisa: “Foi muito azar! Acontecer uma coisa dessas logo comigo".

A razão do desabafo estava no lance que originou o gol de empate palmeirense, no minuto final, quando a bola chutada por Jorginho, antes de sair pela linha de fundo, tocou no corpo de Aragão e tomou o caminho das redes santistas. Cercado pelos jogadores do Santos, visivelmente constrangido, Aragão explicava que o gol era legal. 

Afinal, a regra nove é clara: “A bola está em jogo se permanece em campo após haver tocado o juiz ou um dos juizes de linha”. Apesar de inusitado, o episódio acrescentou mais um incidente à carreira desse mineiro de 18 anos de arbitragens, membro do quadro da Fifa e presidente do Sindicato dos árbitros de São Paulo, que já se viu envolvido em inúmeras controvérsias.

O presidente do Santos, Ernesto Vieira, o absolveu: “Foi uma fatalidade, mas é incrível que isso só ocorra contra o Santos”. Paulo Isidoro era o mais exaltado: “Um juiz da Fifa não pode ficar mal colocado em campo”. O capitão do Palmeiras, Luiz Pereira, disse que nunca tinha visto coisa igual em seus muitos anos de futebol. E completou as gargalhadas: “Ainda bem que foi a nosso favor”.

O empate foi realmente injusto para o Santos que dominou a maior parte do jogo e perdeu gols inacreditáveis no primeiro tempo. Mas premiou o Palmeiras que nunca deixou de lutar pela igualdade, sobretudo quando o Santos recuou inexplicavelmente na etapa final. Tudo isso aconteceu pelo campeonato paulista de 1983.

Nem o bandeirinha escapa

José Monteiro atuava como bandeirinha da Federação Metropolitana de Futebol desde 1947. Passou por muitos apertos. Um deles eu relato pra vocês agora: Vasco e América jogavam em São Januário pelo Campeonato Carioca de 1950. O juiz era Alberto da Gama Malcher. José Monteiro e Lourival Souza eram seus auxiliares. Uma falha do árbitro colocou em perigo todo o trio de arbitragem.

Houve um escanteio contra o Vasco. Jorginho bateu para Ranulfo que centrou para Maneco, e Natalino, bem próximo ao bandeirinha José Monteiro, que levantou a bandeira mancando impedimento dos dois americanos. Malcher não viu o gesto do auxiliar e na seqüência do lance Dimas marcou um gol para o América. Jogadores do Vasco reclamaram e a torcida ficou enfurecida. Chegaram a jogar pedras, garrafas e tudo que tinha na mão. O alvo era o bandeirinha José Monteiro.

O jogo estava 2 a 2 quando, no final, Gama Malcher apitou pênalti contra o Vasco. O América terminou vencendo por 3 a 2. Para sair do gramado, o trio teve que correr para o vestiário. Enquanto trocavam de roupa, a torcida enfurecida começou a bater na porta com violência. José Monteiro ficou segurando a porta enquanto Malcher e o Souza procuravam chamar a polícia, que só chegou no momento em que a torcida já tinha arrombado a porta e dava os primeiros safanões em Monteiro. Para saírem de São Januário, os três ganharam uma carona no camburão da Radiopatrulha.

 

.:. Evandro de Oliveira Tinti, de Catanduva (SP), é estudante do Ensino Médio no Colégio Catanduva.

É leitor de livros sobre futebol e jornais esportivos, e colaborador do jornal Notícia da Manhã.