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na cadência do diálogo

Maria Célia M. Gandini • Colaboradora • 04/12/2008

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Conversar...

Dialogar...

Exige sempre a presença de duas pessoas no mínimo.

Aquele  que fala e o outro que escuta.

Não é fácil dialogar.

Para dialogar é preciso ter assunto,

estar em sintonia com o outro,

saber ouvir, saber falar,

poder palpitar, murmurar, exclamar.

Você percebe que o outro está prestando atenção,

pelo balanço da cabeça, o franzir da testa, o riso na hora certa,

a boca aberta de espanto...

Mas quantas vezes o diálogo é pobre, não há ouvinte,

não há cumplicidade!

O outro está ali, do seu lado, olhando para você, que  fala, fala, fala...

mas você não é ouvido.

O assunto não é importante?

O assunto não lhe diz respeito?

Tem outra preocupação em mente?

Ouvir também exige treinamento,

exige silenciar e se colocar à disposição do outro.

Quanto você se esforça para ouvir o outro?

Na família é assim, na rua é assim,

no trabalho isso ocorre,

e as pessoas conversam sozinhas.

É comum ver uma pessoa atropelando as palavras,

colocando ponto final na sua frase,

reticências onde não há dúvidas,

trocando vírgulas,

deixando que frases desconexas acabem uma relação.

A TV é mais importante,

um som alto basta para lhe distrair,

uma borboleta tira sua atenção,

uma unha lascada,

um mosquito...uma pessoa que passa...

uma música que lhe traz recordações...

uma  amigo que chega...

E você dialoga, dialoga  e ninguém te ouve.

Esse erro também é meu e quando nos atentamos...

o outro está  nos olhando decepcionado,

com “cara de bobo”, ali na sua frente.

Não te dá vergonha?

O  que ele falava não era importante?

O assunto foi longo?

Ficou perdido em datas e nomes estranhos?

Ou sua mente estava lotada de preocupações?

Sejamos francos, deixemos claro que temos um problema

e que não estamos em condições de ouvi-lo agora.

O ouvir, o compartilhar idéias, o rir e chorar juntos

exigem de nós uma postura que nem sempre podemos ter.

Coloque isso para seu colega ou amigo, ele vai entender,

ele poderá até te ajudar.

Já pensou nisso?

Então... bons papos!!!

 

 

Maria Célia Mendes Gandini, de Catanduva (SP),  

é Assistente Social no INSS e articulista do CatnaRede