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Dia 28 último foi
comemorado o dia do Funcionário Público.
Abordo esse assunto por
ser uma servidora pública há 24 anos e como tal sirvo
ao Poder Público.
Não gostaria aqui de falar
dos deveres funcionais do servidor público; dos
contornos éticos que gravitam em torno da atividade do
servidor público, que encontram-se na moral; do dever
funcional de bem atender os administrados, que nos
remete à cortesia e à boa vontade, ao tratar bem uma
pessoa, na resolução de atribuições, no respeitar as
limitações individuais; na atualização com relações às
instruções e normas que regem a atividade pública; nas
greves por um salário mais digno e melhores condições
de trabalho.
Não quero também discorrer
sobre o serviço público como uma das mais importantes
tarefas de uma nação, mas me permito lembrar dos
funcionários egípcios, sumérios, assírios, babilônicos
e outros povos, identificando em todas as civilizações
a importância do tratamento dado aos que exerciam
funções de governo. Nenhum povo deixou de respeitar
aqueles que se dedicavam à função pública, mesmo que
nem sempre o tenha feito por reverência,
reconhecimento ou gratidão, mas por medo ou interesse.
Quero falar hoje do
servidor público que as pessoas, me parece, não querem
ou não conseguem enxergar. Daquele servidor que sai de
sua casa, após ter feito todas as tarefas rotineiras e
exaustivas e que vai para o trabalho “tratar com
gente”. Todos sabemos que o ser humano é único,
singular e como tal tem personalidade, caráter,
valores, idéias e anseios diferentes uns dos outros.
Se o servidor público
compromete-se, ao tomar posse, a cumprir os deveres
que lhe impõem e a ser leal a um código de conduta
muito rigoroso em função do Estado; se Comissões de
Ética vigiam o seu comportamento, o que ele tem como
contrapartida? Entendo que ele também precisa ser
respeitado em seus direitos, precisa ser ouvido, pois
o serviço público brasileiro tem uma história da qual
não deve envergonhar-se. Em todos os setores de
trabalho há bons e maus funcionários e a dignidade, o
decoro, o zelo, a ética, a remuneração digna, o
direito à verdade e respeito, devem ser regras para
qualquer profissão, seja ela pública ou privada.
Desempenhar, a tempo e com
rapidez, suas atribuições; ser reto e justo, íntegro
em seu caráter; tratar cuidadosamente o cidadão, com
boa comunicação com o público; ser cortês e ter
respeito à hierarquia, não são deveres somente do
servidor público, mas do homem que aprendeu desde a
infância o amor ao próximo, a gratidão, o perdão, a
doar-se para o irmão. E isso não se aprende ao prestar
um concurso público e ser admitido por te sido
aprovado nos exames.
São valores que trazemos
conosco mas que precisam ser cultivados e lapidados
sempre e é por isso que cursos motivacionais,
incentivos promocionais e mesmo financeiros,
reciclagem, acompanhamento por profissionais
especializados na área comportamental, precisam ser
temas constantes dentro do funcionalismo público, pois
como o nome diz, trabalhar com gente requer do ser
humano, muitas vezes, uma empatia que nem sempre ele
está pronto e preparado para ter, por ser humano, ter
problemas e precisar tratá-los. E um profissional
especializado em comportamento seria de suma
importância dentro dos órgãos públicos, na opinião
desta Assistente Social.
Sem fazer demagogia, por
ser servidora pública, não consigo entender o fato de
termos que colocar cartazes nas paredes de nosso local
de trabalho dizendo que “desacatar servidor público é
crime”. Chegamos a uma situação que somos
discriminados, maltratados, lesados fisicamente e
moralmente, e por que não citar os servidores mortos
por não responderem aos anseios de quem os procurou
tendo na mente uma expectativa que nem sempre é
atendida?
Somos comprometidos sim,
somos cumpridores de nossos deveres sim, não
trabalhamos apenas por precisarmos de dinheiro,
trabalhamos com “gente” por gostarmos de “gente”,
somos devotos ao país, ao bem comum e ao interesse
coletivo. Temos que melhorar? Sim, sempre. Mas temos
que ser respeitados, pois torno a lembrar: há bons e
maus funcionários em todas as atividades laborativas.
Hoje, como Servidora
Pública, Assistente Social de uma Autarquia Pública
Federal, parabenizo a todos os servidores, que de uma
forma ou de outra dão seu suor, seu saber e seus
ouvidos a tantos lamentos que na maioria das vezes são
gerados pela má distribuição de renda de nosso país.
Mas mesmo assim, procuramos nos colocar no lugar do
outro e responder à altura pelas missões que nos foram
atribuídas, mesmo com todas as burocracias e
dificuldades enfrentadas pelas conseqüências das
mazelas político-econômicas em que o país tem se
envolvido.
Não temos reformas
administrativas concretas, não vislumbramos melhorias
salariais ou plano de carreira há tanto tempo
almejado, mas somos grandes profissionais e
continuamos acreditando que ao se conhecer as
verdadeiras origens da crise brasileira, muitas
melhoras virão para os que se dedicam à função
pública. Parabéns aos servidores públicos deste país! |