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manifesto: parabéns, funcionários públicos

Maria Célia M. Gandini • Colaboradora • 30/10/2007

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Dia 28 último foi comemorado o dia do Funcionário Público.

Abordo esse assunto por ser uma servidora pública há 24 anos e como tal sirvo ao Poder Público.

Não gostaria aqui de falar dos deveres funcionais do servidor público; dos contornos éticos que gravitam em torno da atividade do servidor público, que encontram-se na moral; do dever funcional de bem atender os administrados, que nos remete à cortesia e à boa vontade, ao tratar bem uma pessoa, na resolução de atribuições, no respeitar as limitações individuais; na atualização com relações às instruções e normas que regem a atividade pública; nas greves por um salário mais digno e melhores condições de trabalho.

Não quero também discorrer sobre o serviço público como uma das mais importantes tarefas de uma nação, mas me permito lembrar dos funcionários egípcios, sumérios, assírios, babilônicos e outros povos, identificando em todas as civilizações a importância do tratamento dado aos que exerciam funções de governo. Nenhum povo deixou de respeitar aqueles que se dedicavam à função pública, mesmo que nem sempre o tenha feito por reverência, reconhecimento ou gratidão, mas por medo ou interesse.

Quero falar hoje do servidor público que as pessoas, me parece, não querem ou não conseguem enxergar. Daquele servidor que sai de sua casa, após ter feito todas as tarefas rotineiras e exaustivas e que vai para o trabalho “tratar com gente”. Todos sabemos que o ser humano é único, singular e como tal tem personalidade, caráter, valores, idéias e anseios diferentes uns dos outros.

Se o servidor público compromete-se, ao tomar posse, a cumprir os deveres que lhe impõem e a ser leal a um código de conduta muito rigoroso em função do Estado; se Comissões de Ética vigiam o seu comportamento, o que ele tem como contrapartida? Entendo que ele também precisa ser respeitado em seus direitos, precisa ser ouvido, pois o serviço público brasileiro tem uma história da qual não deve envergonhar-se. Em todos os setores de trabalho há bons e maus funcionários e a dignidade, o decoro, o zelo, a ética, a remuneração digna, o direito à verdade e respeito, devem ser regras para qualquer profissão, seja ela pública ou privada.

Desempenhar, a tempo e com rapidez, suas atribuições; ser reto e justo, íntegro em seu caráter; tratar cuidadosamente o cidadão, com boa comunicação com o público; ser cortês e ter respeito à hierarquia, não são deveres somente do servidor público, mas do homem que aprendeu desde a infância o amor ao próximo, a gratidão, o perdão, a doar-se para o irmão. E isso não se aprende ao prestar um concurso público e ser admitido por te sido aprovado nos exames.

São valores que trazemos conosco mas que precisam ser cultivados e lapidados sempre e é por isso que cursos motivacionais, incentivos promocionais e mesmo financeiros, reciclagem, acompanhamento por profissionais especializados na área comportamental, precisam ser temas constantes dentro do funcionalismo público, pois como o nome diz, trabalhar com gente requer do ser humano, muitas vezes, uma empatia que nem sempre ele está pronto e preparado para ter, por ser humano, ter problemas e precisar tratá-los. E um profissional especializado em comportamento seria de suma importância dentro dos órgãos públicos, na opinião desta Assistente Social.

Sem fazer demagogia, por ser servidora pública, não consigo entender o fato de termos que colocar cartazes nas paredes de nosso local de trabalho dizendo que “desacatar servidor público é crime”. Chegamos a uma situação que somos discriminados, maltratados, lesados fisicamente e moralmente, e por que não citar os servidores mortos por não responderem aos anseios de quem os procurou tendo na mente uma expectativa que nem sempre é atendida?

Somos comprometidos sim, somos cumpridores de nossos deveres sim, não trabalhamos apenas por precisarmos de dinheiro, trabalhamos com “gente” por gostarmos de “gente”, somos devotos ao país, ao bem comum e ao interesse coletivo. Temos que melhorar? Sim, sempre. Mas temos que ser respeitados, pois torno a lembrar: há bons e maus funcionários em todas as atividades laborativas.

Hoje, como Servidora Pública, Assistente Social de uma Autarquia Pública Federal, parabenizo a todos os servidores, que de uma forma ou de outra dão seu suor, seu saber e seus ouvidos a tantos lamentos que na maioria das vezes são gerados pela má distribuição de renda de nosso país. Mas mesmo assim, procuramos nos colocar no lugar do outro e responder à altura pelas missões que nos foram atribuídas, mesmo com todas as burocracias e dificuldades enfrentadas pelas conseqüências das mazelas político-econômicas em que o país tem se envolvido.

Não temos reformas administrativas concretas, não vislumbramos melhorias salariais ou plano de carreira há tanto tempo almejado, mas somos grandes profissionais e continuamos acreditando que ao se conhecer as verdadeiras origens da crise brasileira, muitas melhoras virão para os que se dedicam à função pública. Parabéns aos servidores públicos deste país!

 

 

.:. Maria Célia Mendes Gandini, de Catanduva (SP),  

é Assistente Social no INSS e articulista do CatnaRede