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PELA LINHA DE FUNDO

UM CÂNCER CHAMADO EURICO

Flávio Benvenuto • Colaborador • 24/04/2008

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A influência de Eurico Miranda na política vascaína data da década de 60, quando ainda cursava sua faculdade de direito. Há quem afirme que o dirigente se envolveu em uma confusão na eleição de 1969, sendo pego com a "boca na botija", ou melhor, com a mão no quadro de energia, desligando a luz do local para defender o candidato que apoiava.

O episódio teria sido retratado no jornal "O Globo" do dia seguinte com o título "A mão de Eurico". No entanto, esse jornalista não conseguiu provas confidenciais dessa história, mas acredita que pode perfeitamente ser verdade, se levarmos em consideração tudo o que já fez na administração do clube e no seu cargo na Câmara.

Aos poucos, o jovem Eurico foi se tornando influente no Vasco, deixando em "segundo plano" seu escritório de advocacia. Em 1988, o "gênio" Antônio Soares Calçada, presidente dos cruzmaltinos, resolve convidá-lo para assumir a de vice-presidente de futebol e automaticamente torna-se mero fantoche nas mãos de Eurico até 1999.

O cargo lhe dá plenos poderes em negociações e ações no departamento de futebol, tornando-o popular entre a torcida, principalmente após algumas conquistas como o Brasileirão e a Libertadores em 1997. Em 2000 tornou-se presidente e assumiu de vez o estilo ditador, levando o Vasco a escândalos e a ruína no futebol e no departamento financeiro. Transformou São Januário no seu palácio, proibindo a entrada dos seus desafetos da imprensa e de outros em geral.

Em certo momento, foi unanimidade entre os torcedores, pois trazia títulos e grandes jogadores para a casa vascaína. No entanto, o preço foi alto e aos poucos foi se tornando figura indesejada para a apaixonada torcida.

Centralizador, com plena confiança da eficiência das suas ordens, protagonizou capítulos na CPI do futebol, brigou coma principal emissora do país, processou jornalista e foi processado por outros tantos. Alvo do Ministério Público, está com os dias contados.

Por suspeitas de fraudes na última eleição do clube, em 2007, deverá que ter novo embate com o ídolo e provável moralizador de São Januário Roberto Dinamite. A decisão ainda cabe alguns recursos e o caso deve se estender, conseqüentemente, as ações insanas do dirigente também.

Nas últimas semanas veio a público e, em uma visão profética do além – talvez enviada pelo amigo Caixa d’água-, garantiu que o Vasco não perderia nenhum jogo mais no Carioca e que também "estava escrito há 2000 anos" que o clube seria campeão estadual. No final de semana, levou 2 a 1 do Madureira. Resultado: demissão do treinador, velhas reformulações e a volta do delegado Antônio Lopes.

O reflexo dessa breve história - que bem poderia ser apenas um conto de fadas, no qual o vilão se dá mal no fim – está na atual situação do clube. Sem dinheiro para contratar, tem o pior elenco entre os quatro grandes do Estado e só estará nas finais da Taça Rio, porque o regulamento é um dos mais estapafúrdios dos últimos tempos.

Hoje, muitos dos que foram a favor são contra o dirigente, e seus dias podem estar contados. Infelizmente, tomara que não seja tarde. As seqüelas ficarão e não são poucas...

Resta apenas desejar sorte e lucidez aos vascaínos, que pagarão eternamente a conta de Eurico. Chegou, aliás, passou da hora de alguém fazer alguma coisa. Chega de frouxidão...

 


 

.:. Flávio Benvenuto, jornalista formado pela Unesp de Bauru, é um dos responsáveis pelo blog  

Pela Linha de Fundo (www.pelalinhadefundo.blogspot.com) e colaborador do CatnaRede