Há poucos dias apenas aquele renovado anseio de fim de ano
por dias melhores parecia tão real desta vez! Parecia tão
ao alcance das mãos. Como que anestesiados pelo
contagiante clima de fim de ano, ajudamos a moldá-lo com
nosso quinhão redundante de otimismo (forçado?), felizes
pelos desejos de abraços e votos mútuos, fossem eles
sinceros ou não. Mas... e agora?
E agora, quando temos os pés novamente firmes no chão, já
limpo das rolhas de champanhe? E agora que, de novo,
percebemos a realidade da face do mundo; e de nosso mundo?
Despojados da hipnose dos shows pirotécnicos e
ensurdecedores dos fogos de artifício, a pergunta
angustiante não cala: o quem nos trará o ano novo? Envolto
por uma enorme quantidade de profecias místicas,
econômicas, políticas, profissionais, etc., poderemos nos
esforçar um pouco para, pelo menos prever, cada um o seu
ano novo?:
"O que nos reserva, pois, este ano novo?"
Não é difícil fazer previsões em relação à humanidade.
Falo como espírita que sou, naturalmente. E digo que a
humanidade continuará a colher os frutos amargos de sua
prejudicial semeadura de séculos atrás- sempre com a
oportunidade de se refazer, a cada momento.
Crimes hediondos, doenças terríveis, desequilíbrios
psíquicos e coletivos, crises políticas e sociais globais,
descontrole econômico generalizado, múltiplas catástrofes
da natureza (que, alertando, nos cobra), alterações
climáticas incisivas, medo e insegurança disseminados por
todos os quadrantes. Quem é criminoso, provavelmente
continuará a sê-lo. E alguns se juntarão a estes.
Os egoístas idem, os dissimulados idem, os inseguros idem,
os infiéis idem, idem, idem. Tudo continuará, através da
inacreditável, incompreensível desobediência coletiva às
leis incontornáveis da natureza.
Quanto às previsões para cada indivíduo, para cada ser
humano cujo espírito esteja consciente, o futuro só a ele
pertence. Somente a ele e mais ninguém. Meu futuro me
pertence! Cada um de nós moldamos parta si o próprio
futuro, de acordo com a maneira que vivemos o presente. O
ano poderá, portanto ser uma época repleto de luz- mesmo
com algumas baixas luminosidades- ou de escuridão- com
alguns relâmpagos a nos indicar que a luz sempre existirá
para quem a procura. A responsabilidade da decisão é
unicamente pessoal e intransferível.
Por isso, devemos nos cobrar ânimo e ação. Agir no agora,
no presente! Se quero construir um belo ano (por que falar
de um futuro distante?), é preciso reunir todos meus
esforços para tal sentido. Talvez eu precise transformar
ou intensificar algumas de minhas vontades e disposições
interiores, o que deverá contagiar meus pensamentos,
palavras e ações. O pensamento, mais purificado, a busca
pelas palavras verdadeiras e o esforço pela ação correta,
constituem o início da (re)construção que cada um de nós
moldamos a nós mesmos!
É
preciso que descansemos das estafas intelectuais
infrutíferas, nos libertemos das algemas dogmáticas e
esqueçamos o misticismos ocultistas e pouco
esclarecedores.
Não é fácil, e é desafiante, entretanto creio ser um
caminho para formar um belo (futuro) ano novo. Boa vontade
e perseverança. As pedras deverão ser encaradas como se
tivessem sido lapidadas e colocadas por nós mesmos no
tapete de nosso "destino", em decorrência do que outrora
fizemos. Longe de nos incutir medo, tais pedras devem
servir para que reconheçamos os erros que nos perseguem e
refletir interiormente, prosseguindo sempre, para frente,
colhendo novas aquisições espirituais.
Assim as pedras deverão, paulatinamente, diminuir de
tamanho. Assim, mais forte ficamos a cada dia e a escalada
se torna mais fácil, na medida direta de nossos esforços.
A cada altura atingida, veremos melhor o que pode vir,
aspirando maiores vôos; e o que já veio, formado por
nossas próprias conquistas.
É que sem esforço próprio ninguém avança um milímetro
sequer. Somente crer não basta para que alcancemos algo. É
preciso compreender o que se crê. E depois, esforçar-se.
Pelo esforço próprio, temos condições de manter acesa a
luz que trazemos dentro de nós e resistir aos vendavais
purificadores.
Aqueles que se dispuserem a apenas manterem seus espíritos
mergulhados no sono da inanição, formarão para si um ano
pavoroso, desenvolvendo cada vez mais uma incapacidade de
se movimentar por si mesmos, e deixando mais difícil e
longo a reversão do quadro quando caírem na real.
Até lá, terão sua luz quase apagada já nas primeiras
rajadas de vento...
O livre arbítrio, e seu desenvolvimento no uso contínuo e
sincero, é a chave para nosso desenvolvimento. Por meio
dessa dádiva, podemos escolher nossos próprios caminhos,
colhendo aquilo que quisemos plantar.
Formamos
nosso próprio destino.
Aí, não se trata de mais uma simples e somente resolução
de ano novo, mas de uma decisão que abrange toda a nossa
existência "inteira", pois o nosso futuro, nosso destino,
somente a cada um de nós pertence. Que esse novo ano seja
então (talvez) o primeiro ano de uma vida completamente
nova, integrada às leis da Providência.
E
será... se o quisermos!