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simpsons - o filme (2007)

Henry Alfred • Colaborador • 28/09/2007

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É muito difícil para um fã manter imparcialidade quando fala sobre o que gosta. Eu assisto aos Simpsons, esta família maluca que é nosso maior referencial sobre a classe média norte-americana, desde que me conheço por gente, ou melhor, desde quando a Globo começou a transmitir a série, nos domingos de manhã.

Nesta época, o roteiro era excelente, mas os desenhos eram toscos. Bart Simpsons ainda era o personagem principal e, apesar da crítica social, havia sempre uma liçãozinha de moral. Muita coisa mudou nestes 18 anos, e muito se manteve.

Homer, por ser um dos personagens mais memoráveis da história da comédia, assumiu o primeiro plano, deixa Jerry Lewis no chinelo quando se trata de fazer asneiras; o visual melhorou incrivelmente, certamente influenciado pelas animações computadorizadas, mas sem perder seu toque artesanal; mas os roteiros continuaram excepcionais, em cada episódio com uma história mais absurda que a anterior.

Então, vem a prova de fogo de todo desenho animado. São poucos os que sobrevivem às telonas. Um dos exemplos clássico é a dupla "Beavis & Butthead", que eram o maior sucesso na década de 90 e, após ter ido para o cinema, praticamente desapareceram sem deixar rastros. Fenômeno semelhante ocorreu com South Park e até com o Bob Esponja, talvez o longa de animação mais nojento dos últimos tempos.

Na verdade, o filme dos Simpsons bem que poderia ser um episódio regular, com meia hora de duração. Ele utiliza exatamente a mesma progressão da TV, um começo sem muita relação com o desenvolvimento, uma reviravolta, e uma sucessão de situações cômicas, beirando o absurdo, com um desfecho apoteótico. No filme, o vovô Simpson é possuído pelo Espírito Santo durante o culto dominical e profetiza tempos difíceis para Springfield. E quem seria o responsável pela catástrofe?

Homer, é óbvio!

Quando a cidade é isolada com uma redoma por causa da poluição incontrolável do lago Springfield (um silo com excremento de porcos, o novo mascote de Homer, lançado no lago foi o estopim para este isolamento), os Simpsons decidem se mudar para o Alaska, ou seja, depois disto, o filme reserva muitas surpresas.

Com ótimas situações cômicas, "Os Simpsons - o Filme" é muito divertido. Não é do tipo de animações que se tornará um clássico, como "Bambi", "Branca de Neve", ou até mesmo "Shrek", mas também não é um fracasso.

 

 

 

 

.:. Henry Alfred, de Curitiba (PR), é escritor especialista em literatura e história.

.:. É autor de dois romances e duas coletânias, e editor do blog "O Crítico"..