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Por
várias razões, "À Procura da Felicidade" é um filme
depressivo e angustiante.
Primeiro, por ser baseado numa história real.
Ambientado durante a crise econômica norte-americana
dos anos 80, o filme conta a história de Chris Gardner
(Will Smith), simplesmente um derrotado.
O cara se meteu numa furada, ao se tornar
representante dum aparelho médico caro e sem potencial
mercadológico. Em seu lar, a crise financeira faz com
que seu casamento desmorone e Chris insiste em ficar
com a guarda do filho, mesmo sem as mínimas condições
para sustentá-lo.
Ao decidir que precisa mudar de vida, Chris se
inscreve para competir a uma vaga como corretor da
Bolsa de Valores e, apesar da imagem que é obrigado a
sustentar na empresa, Chris e o filho, à noite, dormem
num abrigo para sem-tetos.
A segunda razão é o clima do roteiro. Chris enfrenta
uma derrota após a outra. São quase duas horas de
fracasso, de fundo de poço, de uma eterna busca pela
felicidade, nem mesmo o final é suficiente para
atenuar a angústia do filme, o clima de derrota e
desamparo.
A terceira, é pela própria mentalidade americana.
Apesar de tudo que se diga sobre os EUA, a "América"
ainda é a terra das oportunidades, é o lugar onde
alguém com pouca ou nenhuma qualificação, desde que
esteja disposto a trabalhar pesado e acreditar em seus
sonhos, pode vencer.
Então, a luta dum pai de família que redunda em
vitória é o mínimo que se espera num país onde o
dinheiro rola, ao contrário do Brasil, onde quem
trabalha mais é quem ganha menos.
Um filme, com o mesmo enredo, situado no Brasil, seria
ainda mais deprimente, pois nem mesmo final feliz se
pode esperar. Ficar chorando as pitangas num país que
fornece todas as condições para se vencer é no mínimo
ridículo.
"À Procura da Felicidade" é um bom filme, mas é uma
evidência de que não se pode massacrar muito o
protagonista. Contar uma história é um exercício de
"bate e assopra", é preciso criar obstáculo e
vencê-los aos poucos; não bastam apenas desgraças, é
preciso vitórias.
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