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Há
pouco mais de dois anos, nas eleições de 2006, escrevi
em um artigo que aquele embate eleitoral foi
totalmente maniqueísta, colocando frente a frente o
bom e o mau político, empobrecendo o diálogo
democrático e reduzindo-o apenas a seus aspectos
ético-morais. Para quem não lembra, o PT de Lula fora
alvo de sérias denúncias e ele, Lula, tentava, mesmo
assim, reeleger-se.
Naquele cenário político, os oposicionistas de Lula
focaram seus ataques no presidente e destacaram
aquelas denúncias, relacionando-as ao chefe do
Executivo do país. A estratégia, pelo visto, não foi
eficiente nas urnas e acabou apenas por marcar aquela
disputa política com a
não discussão de alternativas para
solucionar os problemas brasileiros. Foi um processo
de despolitização da eleição.
Sem dúvida, as “maldades” de qualquer
político devem ser levadas a público, mas não somente
elas. A campanha política ideal é exatamente aquela
que abre a possibilidade de se reverter este quadro,
colocando em cena a discussão de dois projetos
contrapostos (em teoria, ao menos) que pretendem
nortear determinado país, Estado ou município nos
próximos quatro anos. E que o eleitor decida.
2008
Nas
eleições municipais de 2008, o fato ocorrido há dois
anos voltou a acontecer em várias cidades. Em
Catanduva não foi diferente. De um lado, o prefeito
Afonso Macchione Neto (PSDB) em busca da reeleição. De
outro, o deputado estadual e candidato Geraldo Vinholi
(PDT). Como coadjuvantes na história, os candidatos
Beth Sahão (PT) e José Alfredo (PMDB), já com
intenções reduzidas de voto.
Apresentados os personagens, vamos aos fatos. Na
campanha que se desenrolou na cidade, o que se viu foi
uma tentativa contínua da oposição de desmoralizar o
governo, apontar possíveis falcatruas, irregularidades
e outras ações que pudessem demonstrar que "ele é
mau". Ele, no caso, Macchione.
Se um
desses fatos apontados realmente existir, é evidente
que
ele deva ser investigado. Mas, a partir
daí, supervalorizar a discussão ética e escassear a
discussão política em um processo eleitoral soa como
sensacionalismo (da mídia) e parece ser este o grande
interesse da oposição. Contudo, o que se vê é que o
eleitor valoriza a exposição da verdade, mas também
busca propostas e soluções.
Urnas
No
resultado das urnas, viu-se que o catanduvense aprovou
o governo Macchione e pediu sua continuidade. As
denúncias da oposição perderam força e até mesmo
prestígio frente a fatos ligados aos próprios
opositores.
Intitulando-se os mais éticos entre
todos, muitos vereadores desta mesma oposição passaram
quatro anos discutindo questões morais – não suas, mas
do governo – e pouco fizeram do que prometeram. Nada
de solucionar nada. Querendo ou não, isso pesa
bastante.
Por
outro lado, a população viu nos bairros a presença
constante da prefeitura em obras e serviços. E frente
às denúncias - muitas visivelmente eleitoreiras -, os
catanduvenses preferiram relevar tais fatos e investir
seu voto em fatos concretos. Na oposição, havia muitas
promessas e poucas propostas.
Quando
não, propostas beiravam o ridículo. Um candidato
prometia ampliar e cobrir o Estádio Silvio Salles
(?!?). Outro apontou em um caderno ilustrado a
implantação da Fatec, nova escola do Sesi e "ampliação
de cursos" do Cefet. Ora, qualquer cidadão levemente
informado sabe que a Fatec já está funcionando, que a
obra do Sesi já começou e que o Cefet foi anunciado
pelo atual governo...
Verdades
Muitos
leitores poderão ver este texto como polêmico e
contestá-lo. Mas os mais inteligentes logo verão, após
breve avaliação da campanha política pela qual a
cidade passou, que o foco de todas as discussões foi
mesmo a ética. Inúmeras representações foram levadas à
Justiça Eleitoral, num troca-troca constante de
denúncias e acusações. A idéia era vencer assim, e não
nas urnas.
Será que é tão difícil para certos
políticos perceberem que seu eleitorado está mudando,
amadurecendo? Será que não percebem que nenhum eleitor
quer ser enganado ou levado a acreditar em algo que
ele não vê? Talvez esses “certos políticos” não devam
mesmo – e nem mereçam – perceber nada disso. Quem sabe
assim eles sejam, um a um, alijados da política que
tão bem os sustenta. O eleitor já consegue demonstrar
no voto decisões mais sábias. Felizmente.
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