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O BEM VERSUS O MAL

Guilherme Gandini • CatnaRede • 10/10/2008

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Há pouco mais de dois anos, nas eleições de 2006, escrevi em um artigo que aquele embate eleitoral foi totalmente maniqueísta, colocando frente a frente o bom e o mau político, empobrecendo o diálogo democrático e reduzindo-o apenas a seus aspectos ético-morais. Para quem não lembra, o PT de Lula fora alvo de sérias denúncias e ele, Lula, tentava, mesmo assim, reeleger-se.

Naquele cenário político, os oposicionistas de Lula focaram seus ataques no presidente e destacaram aquelas denúncias, relacionando-as ao chefe do Executivo do país. A estratégia, pelo visto, não foi eficiente nas urnas e acabou apenas por marcar aquela disputa política com a não discussão de alternativas para solucionar os problemas brasileiros. Foi um processo de despolitização da eleição.

Sem dúvida, as “maldades” de qualquer político devem ser levadas a público, mas não somente elas. A campanha política ideal é exatamente aquela que abre a possibilidade de se reverter este quadro, colocando em cena a discussão de dois projetos contrapostos (em teoria, ao menos) que pretendem nortear determinado país, Estado ou município nos próximos quatro anos. E que o eleitor decida.

2008

Nas eleições municipais de 2008, o fato ocorrido há dois anos voltou a acontecer em várias cidades. Em Catanduva não foi diferente. De um lado, o prefeito Afonso Macchione Neto (PSDB) em busca da reeleição. De outro, o deputado estadual e candidato Geraldo Vinholi (PDT). Como coadjuvantes na história, os candidatos Beth Sahão (PT) e José Alfredo (PMDB), já com intenções reduzidas de voto.

Apresentados os personagens, vamos aos fatos. Na campanha que se desenrolou na cidade, o que se viu foi uma tentativa contínua da oposição de desmoralizar o governo, apontar possíveis falcatruas, irregularidades e outras ações que pudessem demonstrar que "ele é mau". Ele, no caso, Macchione.

Se um desses fatos apontados realmente existir, é evidente que ele deva ser investigado. Mas, a partir daí, supervalorizar a discussão ética e escassear a discussão política em um processo eleitoral soa como sensacionalismo (da mídia) e parece ser este o grande interesse da oposição. Contudo, o que se vê é que o eleitor valoriza a exposição da verdade, mas também busca propostas e soluções.

Urnas

No resultado das urnas, viu-se que o catanduvense aprovou o governo Macchione e pediu sua continuidade. As denúncias da oposição perderam força e até mesmo prestígio frente a fatos ligados aos próprios opositores. Intitulando-se os mais éticos entre todos, muitos vereadores desta mesma oposição passaram quatro anos discutindo questões morais – não suas, mas do governo – e pouco fizeram do que prometeram. Nada de solucionar nada. Querendo ou não, isso pesa bastante.

Por outro lado, a população viu nos bairros a presença constante da prefeitura em obras e serviços. E frente às denúncias - muitas visivelmente eleitoreiras -, os catanduvenses preferiram relevar tais fatos e investir seu voto em fatos concretos. Na oposição, havia muitas promessas e poucas propostas.

Quando não, propostas beiravam o ridículo. Um candidato prometia ampliar e cobrir o Estádio Silvio Salles (?!?). Outro apontou em um caderno ilustrado a implantação da Fatec, nova escola do Sesi e "ampliação de cursos" do Cefet. Ora, qualquer cidadão levemente informado sabe que a Fatec já está funcionando, que a obra do Sesi já começou e que o Cefet foi anunciado pelo atual governo...

Verdades

Muitos leitores poderão ver este texto como polêmico e contestá-lo. Mas os mais inteligentes logo verão, após breve avaliação da campanha política pela qual a cidade passou, que o foco de todas as discussões foi mesmo a ética. Inúmeras representações foram levadas à Justiça Eleitoral, num troca-troca constante de denúncias e acusações. A idéia era vencer assim, e não nas urnas.

Será que é tão difícil para certos políticos perceberem que seu eleitorado está mudando, amadurecendo? Será que não percebem que nenhum eleitor quer ser enganado ou levado a acreditar em algo que ele não vê? Talvez esses “certos políticos” não devam mesmo – e nem mereçam – perceber nada disso. Quem sabe assim eles sejam, um a um, alijados da política que tão bem os sustenta. O eleitor já consegue demonstrar no voto decisões mais sábias. Felizmente.

 

 

 

Guilherme Gandini, de Catanduva (SP), é jornalista formado pela Unesp/Bauru

e assessor de Comunicação da Prefeitura de Catanduva. MTB: 50.250.