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Quando
o eleitor catanduvense resolveu eleger o senhor Afonso
Macchione Neto prefeito de Catanduva, sabia bem o que
estava fazendo: sabia que estava elegendo um
administrador, um empresário e, pelo que me lembro,
em nenhum momento o então candidato Macchione dizia
ser o melhor político, ou, entenda-se, a melhor opção
política a ser votada naquelas eleições.
Ele
apenas apresentou uma proposta de governo, aceita pela
população, que confirmou isso nos votos depositados
em seu nome. Se uma propaganda, um marketing político
conseguiu envolver a opinião pública a tal ponto que
o sufrágio tornou-o vencedor, foi, no meu entender,
exatamente mérito da ausência de uma desgastada tática
de ilusionismo empregada normalmente pelos candidatos,
que prometem o irrealizável; enchem o imaginário
popular de supostas vantagens que serão obtidas com
sua eleição e partem para o desregramento total, sem
fronteiras.
Até
agora o município ainda não foi tomado pelas
indefectíveis pesquisas de opinião que, no final,
mostram apenas que o povo foi mais uma vez iludido,
mercê dos cifrões envolvidos nos resultados
“satisfatórios” de tal pesquisa. De minha parte,
vejo Catanduva caminhando por uma trilha mais segura,
administrada com responsabilidade mas, infelizmente,
parcialmente descontente com a administração
Macchione.
Seria
oportuno, neste momento, uma pesquisa que fosse
realizada realmente com responsabilidade para
verificarmos qual a parcela de catanduvense que está
descontente com essa administração!
Não
me surpreenderia se os descontentes fossem aqueles que
sempre viveram parasitando este ou aquele político,
se fossem os donos de imóveis que deixavam para pagar
seu IPTU no final do ano para tirarem vantagem do perdão
dos juros; se fossem aqueles cujos imóveis consumiam
uma enormidade de água mas pagavam uma quantia irrisória.
Quando
exigimos rigidez na administração do dinheiro público
costumamos nos colocar ao largo da abrangência dessa
medida. O que for feito contra os outros para mostrar
retidão de comportamento é bom; o que envolve nossa
participação passa a ser abuso do administrador.
Por
outro lado temos uma Câmara que pode, se quiser,
interferir nos abusos, se eles forem cometidos, mesmo
que o Executivo possa administrar através de medidas
que independam de ingerência Legislativa, os
decretos. Mesmo isso não bastaria para calar quem foi
eleito para defender os interesses da população.
Pena que não exista realmente um legislador com
coragem suficiente para delatar corrupção nas relações
envolvendo os dois poderes, se ela existe.
É
uma forma covarde de deixar para o imaginário popular
a idéia de que o dinheiro pode tudo, inclusive calar
quem é pago com dinheiro público para falar em
defesa do povo.
Para
quem quiser ver, a cidade está crescendo em diversas
direções, ou melhor: os benefícios de uma
administração responsável estão sendo implantados
nos recônditos do município, onde as outras
administrações “populares” não ousaram chegar.
Talvez
isso seja administrar com responsabilidade.
.:. Benedito Aparecido Pereira da Silva, 62, é
jornalista em Catanduva (SP). MTB 34.236. |