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RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA

Benê Silva • Colaborador • 09/01/2008

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Quando o eleitor catanduvense resolveu eleger o senhor Afonso Macchione Neto prefeito de Catanduva, sabia bem o que estava fazendo: sabia que estava elegendo um administrador, um empresário e, pelo que me lembro, em nenhum momento o então candidato Macchione dizia ser o melhor político, ou, entenda-se, a melhor opção política a ser votada naquelas eleições.

Ele apenas apresentou uma proposta de governo, aceita pela população, que confirmou isso nos votos depositados em seu nome. Se uma propaganda, um marketing político conseguiu envolver a opinião pública a tal ponto que o sufrágio tornou-o vencedor, foi, no meu entender, exatamente mérito da ausência de uma desgastada tática de ilusionismo empregada normalmente pelos candidatos, que prometem o irrealizável; enchem o imaginário popular de supostas vantagens que serão obtidas com sua eleição e partem para o desregramento total, sem fronteiras.

Até agora o município ainda não foi tomado pelas indefectíveis pesquisas de opinião que, no final, mostram apenas que o povo foi mais uma vez iludido, mercê dos cifrões envolvidos nos resultados “satisfatórios” de tal pesquisa. De minha parte, vejo Catanduva caminhando por uma trilha mais segura, administrada com responsabilidade mas, infelizmente, parcialmente descontente com a administração Macchione.

Seria oportuno, neste momento, uma pesquisa que fosse realizada realmente com responsabilidade para verificarmos qual a parcela de catanduvense que está descontente com essa administração!

 Não me surpreenderia se os descontentes fossem aqueles que sempre viveram parasitando este ou aquele político, se fossem os donos de imóveis que deixavam para pagar seu IPTU no final do ano para tirarem vantagem do perdão dos juros; se fossem aqueles cujos imóveis consumiam uma enormidade de água mas pagavam uma quantia irrisória.

Quando exigimos rigidez na administração do dinheiro público costumamos nos colocar ao largo da abrangência dessa medida. O que for feito contra os outros para mostrar retidão de comportamento é bom; o que envolve nossa participação passa a ser abuso do administrador.

Por outro lado temos uma Câmara que pode, se quiser, interferir nos abusos, se eles forem cometidos, mesmo que o Executivo possa administrar através de medidas que independam de ingerência Legislativa, os decretos. Mesmo isso não bastaria para calar quem foi eleito para defender os interesses da população. Pena que não exista realmente um legislador com coragem suficiente para delatar corrupção nas relações envolvendo os dois poderes, se ela existe. 

É uma forma covarde de deixar para o imaginário popular a idéia de que o dinheiro pode tudo, inclusive calar quem é pago com dinheiro público para falar em defesa do povo.

Para quem quiser ver, a cidade está crescendo em diversas direções, ou melhor: os benefícios de uma administração responsável estão sendo implantados nos recônditos do município, onde as outras administrações “populares” não ousaram chegar.

Talvez isso seja administrar com responsabilidade.

 

.:. Benedito Aparecido Pereira da Silva, 62, é jornalista em Catanduva (SP). MTB 34.236.