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A
quem realmente interessava a Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira, a famigerada CPMF,
assunto que movimenta as rodas políticas da nação,
no momento?
Parece que o que faltou foi honestidade, autenticidade
nos pronunciamentos feitos a respeito da aprovação
ou não desse imposto, que parece ter sido criado para
abastecer os gastos com a saúde no País.
Como
num passe de mágica, os governos perceberam que
descobriram uma mina de ouro no desconto de apenas
0,38 % sobre a movimentação financeira de milhões
de brasileiros e agora, a sua extinção abalou a
estrutura política do País e suscitou os mais
absurdos comentários dos que se diziam defensores dos
interesses desses milhões de brasileiros. Coisas
absurdas!
Uma
delas foi afirmarem que o dito imposto sacrificava o
povo! Que povo?
O mesmo povo que sempre pagou um absurdo de taxas bancárias
sem ter quem falasse em sua defesa?
E
onde está a grande imprensa que podia trazer a público
dados capaz de escandalizá-lo, como, por exemplo, o
salário médio dos brasileiros que, digamos, se fosse
de R$ 1.000,00 (mil reais), estaria contribuindo com
R$ 3,80 (somente isso) para a CPMF, enquanto que ao
banco onde tem conta estaria pagando, no mínimo, R$
9,00, ou seja quase duas vezes e meia o que pagaria
para o governo, mensalmente?
Digo,
quase sem medo de errar, que, se tivessem coragem para
fazer uma pesquisa séria (isso seria possível?)
em nível de Brasil, para verificarem quem se disporia
a pagar a CPMF em troca de melhor atendimento médico
na saúde pública, de um ensino de qualidade, ou até
mesmo apenas da continuidade da estabilidade econômica
que estamos vivendo, ficariam surpresos quando
constatassem que a grande maioria dos brasileiros
pouco estava se importando com a continuidade ou até
mesmo a eternização desse desconto, seja por estarem
já acostumado a ele ou até mesmo admitindo que em
pouco ou nada abalava sua deficiente economia.
Agora,
façam a mesma pesquisa para saberem quantos
brasileiros concordam com o valor da taxa de
administração de sua conta bancária, cobrada pelos
bancos! São patéticos e hipócritas os que falam em
extinção da CPMF como medida para beneficiar o bolso
do povão.
Falta-lhes
autenticidade, coragem, honestidade para admitirem que
estão sendo apenas demagógicos, que na verdade usam
a aprovação do imposto para tentarem negociar
melhorias para si próprios, status para si e para
seus correligionários, ministérios para seus
partidos, cargos. Hipócritas!
Se
pensaram desabastecer as burras do governo federal
como forma de impedir apoio financeiro para as próximas
eleições, caíram do cavalo, e o que é pior, nos
levaram com eles, pois o presidente pode criar outros
impostos sem autorização desses falsos defensores e
ferrar ainda mais os brasileiros.
A
prova de que pouco estavam preocupados com o povo foi
que nas últimas horas o governo ofereceu até a
totalidade da arrecadação para a saúde, e mesmo
assim recusaram apoio à continuidade da arrecadação.
Para eles, a saúde do povo que se lasque! Hipócritas,
mil vezes hipócritas!
.:. Benedito Aparecido Pereira da Silva, 62, é
jornalista em Catanduva (SP). MTB 34.236. |