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O BLINDADO

Benê Silva • Colaborador • 26/11/2007

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Longe dos microfones ou das platéias de assalariados e miseráveis, o presidente Lula despe-se da veste de político ponderado e educado, mostrando sua verdadeira personalidade, menosprezando assessores e maltratando simples serviçais a seu serviço. 

Isso é o que revela o livro Viagens com o Presidente, dos jornalistas Leonencio Nossa, do "Estado", e Eduardo Scolese, da "Folha de S. Paulo", que foi lançado pela Editora Record.

O livro relata fatos presenciados pelos jornalistas durante as viagens que o presidente fez, entre janeiro de 2.002 e abril passado. Segundo a matéria de Gabriel Manzano Filho, publicada em "O Estado de S.Paulo" de 31 de agosto de 2006, o livro aborda o que acontece longe dos bastidores políticos, nas conversas mantidas pelo presidente com seus assessores e serviçais, onde até diplomatas são tratados de forma deseducada e tirânica por Lula.

Segundo os jornalistas, chamar simples segurança de “bundão” e auxiliares de “incompetente”, em tom ríspido e completamente avesso à sua posição de mandatário, parece ser um divertimento para Lula, que não economiza palavrões no trato com seus subordinados, completamente diferente do homem que diz em seus pronunciamentos se orgulhar da educação recebida de sua mãe.

A matéria relata que tudo isso acontece nas conversas no avião ou nos jantares, “depois do terceiro uísque”, o que serve como um tipo de perdão ao jornalista americano “ousado” que insinuou ser nosso presidente um grande beberrão. 

Nas conversas longe dos “flashes” e microfones, o presidente Lula mostra ser um homem comum demais para ocupar um cargo desse naipe, pois age sem um mínimo de compostura moral e usando um palavreado onde pode ser notado nitidamente sua aversão pela educação. 

Parece pensar que o posto que ocupa blinda-o do compromisso ético de mostrar educação e formação moral quando está diante dos que ele julga estarem abaixo de merecerem respeito. Desde os primeiros momentos de seu governo Lula deu mostras de que o resto do mandato seria de desrespeito para com seus subordinados. 

A faixa presidencial não conseguiu esconder o bagunceiro das portas das fábricas, o vendedor de ilusão para os operários, o déspota recalcado que diante dos escândalos acontecidos à porta de seu gabinete ainda tem coragem de afirmar que de nada sabia.

Esse é o homem que dançou de dedos indicadores apontados para cima, no apartamento do Hotel Glória, no Rio, onde estava hospedado, cantando o refrão que acabara de ouvir do povo revoltado diante do hotel: “Ei, Jose Dirceu/Devolve o dinheiro aí/O dinheiro não é seu”. 

Tudo isso está no livro. É mole?

Recebendo aposentadoria especial, concedida em 96 e retroativa a 1.988, quando tinha apenas 42 anos, ainda goza isenção do Imposto de Renda. O importante é que o presidente aposentou-se com apenas 22 anos de contribuição, enquanto o cidadão comum precisa contribuir 35 anos. Parece que a vida de Lula não foi nada amarga como ele gosta de dizer, e sofrer desse jeito acho que todos os brasileiros gostariam de sofrer.

 

.:. Benedito Aparecido Pereira da Silva, 62, é jornalista em Catanduva (SP). MTB 34.236.