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Claro que até eu fiquei
surpreso, à época, não exatamente com a vitória do
Macchione sobre Vinholi, mas com a diferença de votos
do primeiro sobre o segundo, principalmente quando
pesquisas eram divulgadas tentando iludir o eleitor
sobre a supremacia deste sobre aquele. O que acabou
sendo constatado foi que as pesquisas caíram no
descrédito e os futuros candidatos terão que se
preocupar com algo mais consistente que dados
coletados de forma desconhecida, originando resultados
“trabalhados” para levar ao eleitor a ilusão de que
seu candidato está “na frente”.
Claro que quem está mais
envolvido com o pleito, com a organização das
campanhas, acaba sabendo de mais detalhes que o povão
que está sendo “preparado” para o voto e um dos
detalhes que mais me preocupou foi a frieza com que o
deputado Vinholi encarava as ofensas que lhe eram
feitas.
O espírito jornalístico me
impediu de apenas assistir a tudo isso e acabei
opinando sobre o assunto, o que me valeu o rompimento
das relações profissionais que eu mantinha com a
produtora que estava trabalhando a campanha do
deputado, sob a batuta do velho marketeiro Julio
Darvas, profissional que trazia na bagagem a
experiência de três campanhas para deputado, do
próprio Vinholi, obtendo sucesso nas campanhas de 1998
e 2002, mas que fracassou ao tentar colocar Vinholi no
meio do povão, levar seu nome ao vulgo, popularizá-lo
como devia, para que se saísse vitorioso na campanha
para prefeito em Catanduva.
Desde minha contratação
para reportagens para TV e rádio percebi que a
preocupação maior era com o fato do deputado ser “de
fora” e no pouco tempo em que permaneci na produtora
todas as minhas sugestões para um trabalho de campo,
levando o nome do candidato para o povo, colocando-o
em meio aos problemas da cidade, nos seus diversos
bairros, foram rechaçadas.
Foi inevitável o
rompimento. A princípio fiquei “p” da vida, mas aos
poucos fui me acostumando com a idéia e até acabei
gostando de apenas assistir, pois a inexistência de
vínculos me permitia ver através da lógica e não
através de um “cachê”, e o que vi não me agradou
muito.
Na ótica do velho
marketeiro, a vitória estava assegurada pelo marketing
que ele preparava para a campanha e o resto poderia
ser desprezado, inclusive o fato de Macchione estar
vindo de duas campanhas e ser largamente respeitado em
Catanduva; inclusive o fato de Macchione estar
reunindo forças que, quer queiram quer não, tinham
eleitores cativos e a união dessas forças traria votos
valiosos para sí; e o que era indiscutível: os votos
que sairiam do PT migrariam para Macchione devido a
essa relação de ódio/adoração que o eleitor petista
tinha com o candidato tucano, pois era a esperada
oportunidade que esse militante, desprezado pela
administração petista e inconformado com isso, tinha
para vingar-se. Porém, a vitória de Vinholi estava
assegurada pelo velho marketeiro.
Mas o que ficou pior e
mais vergonhoso foram as pesquisas divulgadas pelo
jornal que apoiava Vinholi, dando como certo uma
diferença enorme em favor do deputado e lhe
assegurando a vitória. Muito embora o descrédito dos
institutos de pesquisa tenha ficado comprovado a nível
nacional, o que ficou no imaginário popular foi uma
incrível diferença de algo próximo dos 11 % no
resultado dos votos a seu desfavor, que somados aos 7
% de vantagem que suas pesquisas apontavam deram uma
incrível diferença de algo em torno de 18 % !
E o que é bem pior!
Comprometeu toda a sua lisura, quando afirmava que não
usaria truques baixos na campanha, a menos que forjar
resultados de pesquisa para beneficiar-se não seja
compreendido como truque sujo, mesmo não sendo a seu
mando, e isso somente piora sua situação, pois o torna
um simples joguete nas mãos de quem sabia tudo, mas
não entendia nada da política local.
Mas a catástrofe aconteceu
quando um bando de marginais usando a camisa da
campanha do deputado, agrediu covardemente o
jornalista Evando Belo. As fotos são estarrecedoras!
Isso fez certas lembranças voltarem ao imaginário
popular, pois o estilo coronelismo foi absolutamente
condenado pelo eleitor e o fracasso de sua campanha
ficou estampado nos 18 % de votos recebidos menos que
o adversário, que achava fácil vencer nas urnas.
O próprio deputado deveria
ter exigido punição para os agressores. Afinal usavam
camisetas de sua campanha, portanto, estavam a seu
soldo. O ano que vem ainda pode ser um risco o
deputado tentar novamente, pois Macchione estará com a
vantagem de quatro anos de gestão que, sem bem
aproveitada, endossará seu nome para mais quatro anos
na direção do governo catanduvense, sem considerar que
a votação de Vinholi já está sob risco em Catanduva, o
que será posto à prova em outubro, ...a menos que até
lá surja uma composição para obter o apoio do prefeito
Macchione, que já está comprometido com Carlos Eduardo
e etc e tal...
Pelo visto, o astuto Julio
Darvas dançou, e levou para o meio do salão o deputado
Vinholli! Embora saibamos que a política aceita com
naturalidade certas mudanças de rumo do comportamento
humano. Sem contar que o Félix, tendo o Macchione como
cabo eleitoral, pode voltar com tudo e aí...
.:. Benedito Aparecido Pereira da Silva, 62, é
jornalista em Catanduva (SP). MTB 34.236. |