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O VÉIO DANÇOU

Benê Silva • Colaborador • 13/09/2007

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Claro que até eu fiquei surpreso, à época, não exatamente com a vitória do Macchione sobre Vinholi, mas com a diferença de votos do primeiro sobre o segundo, principalmente quando pesquisas eram divulgadas tentando iludir o eleitor sobre a supremacia deste sobre aquele. O que acabou sendo constatado foi que as pesquisas caíram no descrédito e os futuros candidatos terão que se preocupar com algo mais consistente que dados coletados de forma desconhecida, originando resultados “trabalhados” para levar ao eleitor a ilusão de que seu candidato está “na frente”.

Claro que quem está mais envolvido com o pleito, com a organização das campanhas, acaba sabendo de mais detalhes que o povão que está sendo “preparado” para o voto e um dos detalhes que mais me preocupou foi a frieza com que o deputado Vinholi encarava as ofensas que lhe eram feitas.

O espírito jornalístico me impediu de apenas assistir a tudo isso e acabei opinando sobre o assunto, o que me valeu o rompimento das relações profissionais que eu mantinha com a produtora que estava trabalhando a campanha do deputado, sob a batuta do velho marketeiro Julio Darvas, profissional que trazia na bagagem a experiência de três campanhas para deputado, do próprio Vinholi, obtendo sucesso nas campanhas de 1998 e 2002, mas que fracassou ao tentar colocar Vinholi no meio do povão, levar seu nome ao vulgo, popularizá-lo como devia, para que se saísse vitorioso na campanha para prefeito em Catanduva.

Desde minha contratação para reportagens para TV e rádio percebi que a preocupação maior era com o fato do deputado ser “de fora” e no pouco tempo em que permaneci na produtora todas as minhas sugestões para um trabalho de campo, levando o nome do candidato para o povo, colocando-o em meio aos problemas da cidade, nos seus diversos bairros, foram rechaçadas.   

Foi inevitável o rompimento. A princípio fiquei “p” da vida, mas aos poucos fui me acostumando com a idéia e até acabei gostando de apenas assistir, pois a inexistência de vínculos me permitia ver através da lógica e não através de um “cachê”, e o que vi não me agradou muito.

Na ótica do velho marketeiro, a vitória estava assegurada pelo marketing que ele preparava para a campanha e o resto poderia ser desprezado, inclusive o fato de Macchione estar vindo de duas campanhas e ser largamente respeitado em Catanduva; inclusive o fato de Macchione estar reunindo forças que, quer queiram quer não, tinham eleitores cativos e a união dessas forças traria votos valiosos para sí; e o que era indiscutível: os votos que sairiam do PT migrariam para Macchione devido a essa relação de ódio/adoração que o eleitor petista tinha com o candidato tucano, pois era a esperada oportunidade que esse militante, desprezado pela administração petista e inconformado com isso, tinha para vingar-se. Porém, a vitória de Vinholi estava assegurada pelo velho marketeiro.

Mas o que ficou pior e mais vergonhoso foram as pesquisas divulgadas pelo jornal que apoiava Vinholi, dando como certo uma diferença enorme em favor do deputado e lhe assegurando a vitória. Muito embora o descrédito dos institutos de pesquisa tenha ficado comprovado a nível nacional, o que ficou no imaginário popular foi uma incrível diferença de algo próximo dos 11 % no resultado dos votos a seu desfavor, que somados aos 7 % de vantagem que suas pesquisas apontavam deram uma incrível diferença de algo em torno de 18 % !

E o que é bem pior! Comprometeu toda a sua lisura, quando afirmava que não usaria truques baixos na campanha, a menos que forjar resultados de pesquisa para beneficiar-se não seja compreendido como truque sujo, mesmo não sendo a seu mando, e isso somente piora sua situação, pois o torna um simples joguete nas mãos de quem sabia tudo, mas não entendia nada da política local.

Mas a catástrofe aconteceu quando um bando de marginais usando a camisa da campanha do deputado, agrediu covardemente o jornalista Evando Belo. As fotos são estarrecedoras! Isso fez certas lembranças voltarem ao imaginário popular, pois o estilo coronelismo foi absolutamente condenado pelo eleitor e o fracasso de sua campanha ficou estampado nos 18 % de votos recebidos menos que o adversário, que achava fácil vencer nas urnas.

O próprio deputado deveria ter exigido punição para os agressores. Afinal usavam camisetas de sua campanha, portanto, estavam a seu soldo. O ano que vem ainda pode ser um risco o deputado tentar novamente, pois Macchione estará com a vantagem de quatro anos de gestão que, sem bem aproveitada, endossará seu nome para mais quatro anos na direção do governo catanduvense, sem considerar que a votação de Vinholi já está sob risco em Catanduva, o que será posto à prova em outubro, ...a menos que até lá surja uma composição para obter o apoio do prefeito Macchione, que já está comprometido com Carlos Eduardo e etc e tal...

Pelo visto, o astuto Julio Darvas dançou, e levou para o meio do salão o deputado Vinholli! Embora saibamos que a política aceita com naturalidade certas mudanças de rumo do comportamento humano. Sem contar que o Félix, tendo o Macchione como cabo eleitoral, pode voltar com tudo e aí...

 

 

.:. Benedito Aparecido Pereira da Silva, 62, é jornalista em Catanduva (SP). MTB 34.236.