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Ela
nunca entendeu o poder intransigente que ele tinha de deixá-la em
mistos de raiva e desejos fulminantes.
Era uma
terça-feira incomum, já tinha voltado mais de duas vezes para buscar
objetos inanimados que insistiam em não acompanhá-la, enfurecida, pela terceira
vez embrenhou-se portão adentro com um único desejo, encontrar um
computador vazio para se conectar e fugir um pouco do mundo real, porém
quando pisou os últimos degraus daquela escada interminável, deparou com
os olhos penetrantes e exigentes.
Desviou o
olhar, quis fugir, mas tudo que conseguiu foi seguir na sua direção.
Enquanto o olhava e se deixava olhar percebia seus planos esvaírem-se
pelos dedos que intrinsecamente ele tocava agora.
Tentou
argumentar, mas calou-se com um beijo ardente, quente, com a mão
passeando certamente pela sua nuca, deixando-a tonta, atônita,
inteiramente absorta. |