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Rostos serenos, passos apressados, luzes
reluzentes, vozes, vozes, portas que se abrem outras que se fecham,
chegaram....e um fio separa as lágrimas pertinentes dos sorrisos
atordoados, o homem se despi enquanto faz xixi com a porta aberta, a
mulher bufa, injuriada com a atitude cotidiana...tira o colar...os
brincos e se olha no espelho do quarto tentando se buscar, se
reconhecer. Descarga. E ele sai do banheiro, tira a calça social,
desaperta a gravata e a olha de soslaio. Ela entra no banheiro, se
olha novamente no espelho do armário, e começa em movimentos lentos
escovar os dentes, querendo eternizar aquele momento, se fita no
espelho novamente querendo encontrar explicação para tanta
indiferença. A porta do armário bate. É ele procurando seu pijama e
não encontrando, ela sorri cinicamente sozinha. Ele desiste. Fica de
cueca. Ela sai do banheiro já de camisola e passa pelo quarto em
passos imponentes, vai para cozinha. Ele atordoado acende um cigarro,
sabe que ela odeia. Ela volta, pega um livro entra debaixo do edredom
e tosse, ele por dentro sorri. Ele se vira, ela também. Duas horas se
passam. Viram-se insistentemente na cama, ela levanta, vai para
cozinha, bebe água no gargalho, volta para quarto. Ele levanta, vai
para o banheiro, demora a voltar, ela vez ou outra espia, de cara
feia. Ele volta, se ajeita na cama, entra no espaço dela, que o
empurra, deixando claro que está furiosa. Ele sorri em silêncio. Ela
tenta se ajeitar, ele está cada vez mais perto, sente a pele das costa
dele contra a sua, respira fundo, e levanta. Vai para a cozinha
novamente, bebe água de novo, volta para o quarto, de longe não o
avista. Entra no quarto. Ele a pega de surpresa pelo braço bem forte,
ela se assusta e esbraveja pedindo para soltar, ele segurando olha
fixamente para seus olhos que faíscam de raiva e desejo, ela se
debate, ele a beija, ela bate com as mãos nele, pois já está solta,
mas entregue.
.....E eles tiveram a melhor noite de amor
da vida deles. |