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Tudo
parecia meio cinza dentro dela naquela manhã, olhou
para o lado e não viu o quadrinho lilás e verde que há
anos espiava da sua cama de solteira com uma menininha
doce e sorridente jogando milho às galinhas, a sua
cama tinha ganhado tamanho maior, as paredes agora
tinham outras cores, bonitas cores, mas outras.
Devagar passeava o olhar pelo ambiente que teimava em
não reconhecer. Virou-se e fechando os olhos ficou
esperando a voz de sua mãe adentrar aquele quarto
semi-escuro, pois já estava na hora, mas a voz não
veio, e o silêncio agora gritava com ela juntamente
com o barulho do despertador que reafirmava toda suas
aflições.
Lentamente levantou-se e imediatamente debaixo do
chuveiro se escondeu, deixando a água levar embora
tantas sensações obscuras que experimentara até agora,
a boca parecia amargar e o coração com alguma peça
sobrando, ou seria faltando?
Desconfiada e insegura terminou o banho e ainda
enrolada na toalha partiu em passos lentos em direção
a um ambiente que trazia um cheiro conhecido, no
caminho pôde espiar uma bela cortina branca com alguns
leves detalhes românticos, e também convidativas
cadeiras de balanço que fascinavam seu olhar.
Continuando e dobrando a esquina desse ambiente em
busca do cheiro conhecido deparou-se com todas as
explicações que fervilhavam sua mente nos olhos de
alguém que havia lhe assaltado a alma.
_ Já
preparei o seu café, amor!
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