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Alesson Souza • Colaborador • 15/09/2008

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Grand Corps Malade

Uma das boas coisas da França que eu pude conhecer foi o Slam. Tudo bem que não é algo francês, mas eu conheci o maior e melhor slammeur (quem faz slam) da França. Grand Corps Malade. O slam é uma arte de expressão popular oral, declamatória, que se pratica em lugares públicos como bares bem como em associações.

 

A palavra slam designa na gíria americana "batida", termo retirada da expressão "to slam a door" que significa literalmente "bater a porta" "batida". No nível da poesia oral e pública, trata-se de pegar o público pelo pescoço e de bater nele com palavras, imagens, para emocioná-lo.

 

O slam nasce em 1998, quando Marc Smith, encena uma poesia num clube de jazz em Chicago.

 

Ele procurava dar um novo sopro às encenações publicas de poesia fazendo o público participar delas. Marc odiava as encenações publicas de poesia, constantemente longas e chateantes.

 

Seu objetivo era criar uma encenação lúdica para melhorar a qualidade do espetáculo, mas também dar qualidade na poesia: algumas pessoas, membros de um júri arbitrário, expressavam os seus gostos subjetivos. Ele suscitou uma paixão popular que lhe merece pouco a pouco de se propagar em Nova Iorque, depois do mundo inteiro.


Na França, o slam é muito conhecido devido a Grand Corps Malade (nome artitístico de Fabien Marsaud). Um grande poeta da periferia francesa que, depois de um acidente o qual o deixou quase paralítico, decidiu seguir os passos de Marc e fazer slam no país da baguette.

 

A idéia deu tão certo que ele ganhou vários prêmios no Victoires de la Musique (Oscar da música francesa). Suas letras são recheadas de imagens belas, diretas, às vezes complexas, mas sempre tocantes. Sentimos prazer em ouvir sua grave voz, poderosa, e também de ler seus poderosos, ricos e sublimes textos que nada mais são que a sua vida.

Infelizmente no Brasil, o slam não é muito conhecido nem muito menos feito, porém em São Paulo há um sarau chamado Sarau da Cooperifa, onde qualquer pessoa pode ir e declamar uma poesia, uma música, enfim, qualquer expressão textual-artística. Sarau este organizado pelo grande poeta Sérgio Vaz que decidiu fazer dos bares lugares de expressão poética bem como pensou Marc nos EUA e Fabien na França.

 

O que importa é se expressar e da melhor forma possível: a espontânea e sem muito beletrismo.

Conheça Grand Corps Malade (vídeo legendado) e em seguida veja a reportagem sobre o Sarau da Cooperifa em São Paulo:

http://video.google.com/videoplay?docid=-4747048099267285781  - Grand Corps Malade

http://fr.youtube.com/watch?v=GQm58mRMUh8 - Sarau

 

 

Alesson Vinícius Francisco Souza, de Salvador (BA), é estudante de

graduação de Letras Vernálucos da Universidade Católica de Salvador