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TURISTAS

Alesson Souza • Colaborador • 09/10/2007

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Acabo de assistir ao filme "Turistas". Bom filme, porém, confesso que no final fiquei um pouco desapontado, pois esperava mais do filme. Antes de assisti-lo, ouvi diversas críticas e inócuos comentários na rua, na televisão e em diversas comunidades do Orkut (do tipo "Odeio o filme" ou "Somos contra o filme").

Esperava ver a tal destruição da imagem do Brasil, esperava ver tudo que não vi. O flme me agradou em tudo. Cenas violentas, fortes ali, um entra-e-sai acolá e um suspense, ainda que fajuto, aqui me fizeram gostar do filme. Antes que os grandes críticos, portadores de uma bandeira nacionalista, de plantão venham me criticar com todos os mais "belos" adjetivos, apresento-lhes as justificativas:

No início do filme as primeiras imagens são aquelas que o governo brasileiro vende ao estrangeiro para atrair os tais turistas, bundas, cristo redentos, praia e etc., porém, no início no filme se mostra também a favela e a música ao fundo não é Tom Jobim e sim Marcelo D2 (ainda que esse tenha lá suas bobagens).

Durante todo o filme não vemos nada além do que uma reprodução do que o governo, a literatura (leiamos Jorge Amado), as novelas e a imprensa brasileira vende para além mar. O filme é um doce de imagens diante do que as novelas brasileiras fazem, afinal, vejamos os títulos das novelas: Paraíso Tropical, Da Cor do Pecado. Isso só as que estão atualmente no ar, ora, se os próprios brasileiros produzem esse estereótipo de paraíso perdido onde poderá se gozar da cachaça, das praias e dos corpos bronzeados, por quê os estrangeiros não fariam o mesmo?

Antes que venhamos a criticar o filme, deveríamos fazer uma crítica aos nossos produtores culturais que criam essa identidade cultural. Onde há mais negros, no Brasil ou nos EUA? Responda à questão e pergunte-se: Por que então não vemos negros com o personagem principal e vemos constantemente em filmes e seriados americanos? Como é vendida a imagem da mulher brasileira em novelas, filmes e literatura? Gabriela? Tieta?

Aos histéricos nacionalistas de plantão digo apenas que o filme não tem nada demais, afinal, o povo brasileiro não se enoja de ver a burguesia nas novelas e não se ver nas novelas, afinal, passam oito meses vendo uma vida idílica, aquela que queriam ter, mas não a têm!

 Uma última coisa: desde quando ser um país com muita mata é símbolo de atraso? Isso é uma idéia do século XIX e européia...ah a ordem e o progresso estampado na nossa linda bandeira... onde estão eles meu caro Comte?

 

 

.:. Alesson Vinícius Francisco Souza, de Salvador (BA), é estudante de graduação

de Letras Vernálucos da Universidade Católica de Salvador (UCSal)